O fanatismo por marcas e a vontade de aparecer
Todo mundo sabe que tem fanáticos pra tudo. Seja por futebol, religião, partido político ou até mesmo marcas. De carros, motos, roupas, chocolates e também produtos de tecnologia.
Nem precisaria dizer, mas só para reforçar: todo fanatismo é burro. Não existe nada que seja perfeito, logo, todos tendo algum defeito, o fanatismo se torna irracional, e, consequentemente, burro.
Alguns fanáticos são mais contundentes que outros, e exemplos não faltam, mas vale lembrar que há quem mate ou morra estupidamente em nome da religião (religiões que, em teoria, pregam a paz).
Voltando à tecnologia, que é o assunto deste blog, brigas não faltam entre Linux x Windows, iOS x Android, Mac x PC, AMD x Intel, XBox x Playstation, Google x Microsoft e inúmeras outras.
Racionalmente, como consumidor, eu prefiro sempre o produto ou serviço que me dá melhor relação entre custo e benefício.
Então, apesar de gostar da LG, a televisão que eu comprei ano passado é da Philips, que oferecia mais recursos por um preço melhor, na época.
Assim como já tive um notebook da Sony, notadamente caro, mas era o que me atendia da melhor forma na ocasião. Hoje tenho um Dell, que foi o que melhor se encaixava no meu orçamento e, principalmente, nas minhas necessidades.
E um exemplo cada vez mais presente de fanáticos são de alguns usuários de produtos da Apple.
O iPhone nasceu como um produto caro e que fazia menos que seus concorrentes. Meu Nokia N95 velho de guerra é da mesma época do primeiro iPhone, e, tirando a tela maior e com touch da Apple, tem memória expansível, câmera muito melhor e que faz vídeos e é multitarefa, só para citar algumas coisas sem me extender.
Já o iPhone 4, como disse aqui mesmo neste blog, surpreendeu pela evolução, e passou a ser um bom custo/benefício em relação aos concorrentes (cada vez mais numerosos).
Vale o mesmo para o iPad, que apesar de praticamente inaugurar o nicho dos tablets, logo em seguida ficou devendo aos seus concorrentes, em especial pela ausência de conexão HDMI e também pela falta de câmera.
Agora, como também citei aqui, a Apple colocou estas features na nova versão.
E então volto para o assunto do fanatismo. Conforme a Vanessa Nunes citou no blog dela, já tem um cara acampado há algum tempo na frente da loja da Apple em Dallas, no estado do Texas (Estados Unidos).
O cara, que se denomina “iJustin“, tem aparecido na imprensa em todo o mundo, além de vários sites e blogs. Mas porquê?
Nada justifica querer ser o primeiro a ter um iPad 2, muito menos entrar numa “fila”(!?) com tanta antecipação. Nada.
Daí rola uma outra coisa: a vontade de aparecer. O cidadão em questão tem apenas 400 e tantos seguidores na sua conta no twitter.
Na boa, para quem apareceu em noticiários do mundo todo, isso é um número ínfimo. É pouco mais que eu tenho. E eu não me submeto a micos como esse para aparecer.
A Apple está na moda, e hoje em dia tem muita gente comprando iPhone, iPad e mesmo Macs para aparecer, sem sequer saber como utilizar. Muita gente compra iPhone e nunca instala nenhum aplicativo, inclusive. Compra porque é bonito. Tá na moda.
O uso de Macs como computadores pessoais (em especial no Brasil) também me lembra a quantidade de alunos que entram no curso de Ciência da Computação na faculdade. Mais da metade desiste logo no começo.
Em tempo, posso falar com conhecimento de causa, já que, além de trabalhar com tecnologia há mais de 15 anos, uso um iPhone (3) e tenho um iMac, o qual uso especificamente para edição de áudio e vídeo, além de pretender em breve desenvolver aplicações para iOS – e para isso é necessário um Mac.
Logo, eu comprei um Mac não porque sou tarado pela marca da maçã, e sim porque, entre outras coisas, o “seu” Steve Jobs obriga quem quer desenvolver para os aparelhos dele a ter um computador da marca.
Fanatismo é burrice. Querer aparecer como “o mais fanático” é, além de tudo, ridículo.










