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Geeks são preconceituosos?

Publicado em Curiosidades - Por Maurício Piccini Em terça-feira, agosto 31st, 2010 com 1 comentário

Esse post do The Ludologist (blog sobre o qual já comentamos aqui) me chamou a atenção. Jesper Juul comenta sobre o preconceito que a comunidade de jogos digitais tem com jogos sociais.


Isso mesmo, dentro da
comunidade que passa
a vida brincando
, há
preconceito contra aqueles
jogos que são só
perda de tempo!
 

Brincadeiras a parte, é curioso que a única coisa que muda no preconceito em comunidades intelectualizadas é o nível de complexidade das explicações:

  • Fora da comunidade acadêmica, os jogos são mal vistos, porque “são ruins”, “perda de tempo” e “violentos”.
  • Dentro da comunidade acadêmica, jogos são reduções “lúdicas” ou simplesmente um jeito de “entreter” as pessoas enquanto elas aprendem.
  • Se tratarmos com profissionais que trabalham com jogos, os mal vistos são do jogos “educativos”, por tornarem-se objetivos demais em detrimento à parte lúdica. Sem falar que a equipe de marketing vai dizer que eles simplesmente “não vendem”.
  • Os jogadores hardcore, aqueles que compram um computador novo a cada seis meses ou menos e passam mais de 6 horas por dia jogando, consideram os jogadores casuais ridículos por perderem tempo em vícios efêmeros.

Eu particularmente acho compreensível esse xenofobismo geek (quer palavra mais geek, aliás?). Compreensível, porque quanto mais especializado o grupo, maior as chances de encontrarem-se diferenças entre esse grupo e qualquer outra pessoa. Geeks, nerds, caxias, caretas são tribos. E a característica principal de uma tribo é construir uma identidade, o que também cria imediatamente a noção de outro. Infelizmente, nossos preconceitos seguem conosco apesar de toda nossa educação.

Contarei um causo oportuno:

Trabalho com literatura infantil e participei de projeto em que tratávamos com crianças de uma comunidade da periferia de Porto Alegre junto a um posto de saúdo da nossa Universidade. Lá, também trabalhavam colegas da Psicologia, Medicina e Odontologia.

Eis que um dia, uma de minhas colegas da Letras inventou de fazer brincadeiras com as crianças. Nessas brincadeiras, a premiação seria uma balinha. Não deu outra, fomos visitados por uma professora da Odontologia que reclamou por estarmos estragando o projeto de higiene dentária deles (balinhas estragam os dentes certo?).

Essa história não se estanca por aqui! Para finalizar com chave-de-ouro, a professora fez questão de nos entregar um conjunto de histórias em quadrinhos didáticas para crianças sobre higiene bucal.

Isso mesmo, nós, da Literatura, teríamos de usar histórias em quadrinho didáticas para estragar o gosto das crianças pela literatura de verdade apenas para que elas deixassem de comer balinhas. Ironia, alguém?

Temos uma excelente oportunidade, sendo geeks, nerds ou apenas viciados em tecnologia, de construir pontes entre nossas áreas do conhecimento. Mas essa oportunidade só funciona tratarmos com respeito as especialidades uns dos outros e mesmo as preferências de cada um.

Concordam, discordam? Comentem esse manifesto antropológico nerd abaixo.

Para a parcela do nosso público que tem senso de humor, conheçam o Cow Clicker, jogo para ridicularizar o FarmVille.

Sobre - Gaúcho de Porto Alegre, pesquisador na área de jogos digitais, estudando narrativas aplicadas a análise de games para tese de Doutorado. Fundador da empresa de desenvolvimento de software JETTA DdS Ltda.

Displaying 1 Comentário
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  1. Melbilis disse:
    Olá Maurício Piccini,
    Cá estou a parabenizá-lo pela Vitória no Blogbboks!
    Confesso que não sabia o que era Geeks e
    gostei muito de sua narrativa lúdica que me fez rir e…vai uma balinha aí prá poder visitar sua amiga dentista?
    Pode, não pode, pode, pode???
    Lembrei de uma frase: “Há pessoas que levam
    dois minutos para captar algo, outras 10 a-
    nos” e… me incluo nela, tanto de um lado quanto do outro.
    Abraços de mel primaverís de Flores de Lis.

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