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5 motivos por que precisamos de mais jogadores sérios [serious gamers!]

Publicado em Games - Por Maurício Piccini Em segunda-feira, outubro 18th, 2010 com 1 comentário

Há uns dias, alguém me disse ter tido a “brilhante” ideia de usar jogos no processo de seleção da empresa. Mandei ele assistir The Last Starfighter (O último guerreiro das estrelas, de 1984), um filme em que o herói era recrutado como artilheiro de uma frota espacial depois de demonstrar suas capacidades especiais jogando um videogame de “última geração” (para 1984, claro).  Estamos circulando as mesmas ideias há décadas, mas ninguém faz nada a respeito. Talvez a massa leiga ainda ache tudo muito “ficção científica”.

http://comics.gamesfirst.com/

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Então, inspirado pelo post de Mohammed El-Serougi, na HiDefWeb, pelo vídeo de Jane McGonical, no TEDTalk, e continuando o raciocínio iniciado no GameReporter, selecionei 5 dos principais motivos para darmos mais atenção aos gamers (os jogadores sérios) além de vê-los como gente que perde seu tempo no computador.

  1. Dedicação
    Nas palavras de El-Serougi: “Gamers trabalham duro”! Com os jogos, é necessário aprender as regras, desenvolver a habilidade do jogador e ainda seguir pelas diversas fases por horas a fio. Isso, se considerarmos apenas o que ocorre no “mundo virtual”. Aqui, do lado real, o jogador precisa dedicar também dinheiro e espaço. Gamers comprometem boa parte do orçamento em seu “lazer” e ainda alteram a distribuição da mobília (ou vocês acham que aquela TV 49pol. é para o Home Theater?) fazendo com que seus amigos assistam DVDs expremidos a 40 cm da tela… quando os amigos visitam.
  2. Colaboração
    Os jogos “de tiro” são disputas de times que precisam estar muito bem sintonizados. O gamer sabe que, para ser campeão do WCG é preciso treinar diariamente e conhecer bem os membros da equipe. Seja em World of Warcraft ou em CounterStrike, não dá para viver sozinho. Não por muito tempo. Essas interações não só são complexas, mas são fundamentais à mecânica dos jogos.
  3. Controle da Frustração
    Gamers que se frustram rapidamente não sobrevivem. Games necessitam de jogadores pacientes, que decidam sua estratégia e a levem a cabo. Quem morre algumas vezes e desiste não é um gamer. Nem mesmo é um gamer aquele que morre segundos antes de matar o chefão, joga o controle na parede e vai jantar, jurando nunca mais por as mãos naquele jogo novamente. Gamers aprendem. Gamers cometem muitos erros, mas sabem que com sua dedicação* vão logo, logo cometer cada vez menos e menos erros. Essa é uma das hipóteses de por que os jogadores de videogames conseguem controlar os próprios sonhos - têm melhor controle sobre suas emoções.
  4. Construção de Personalidade
    Normalmente, vemos os RPGs como jogos de interpretação de personagens. Mas o que todos os jogos nos obrigam fundamentalmente é a criar uma solução individual. E essa solução é pessoal, dependente de cada jogador, de suas habilidades e de seus pontos fracos. Gamers desenvolvem em cada nova partida seu autoconhecimento. Gamers fundamentalmente testam a si mesmos todos os dias e sabem quais partes de si devem deixar para trás, quais de seus trejeitos pessoais os atrapalham. Conforme Jane McGonical, essa é a essência que faz dos jogos algo tão importante a tantos de nós: a capacidade de transformar. Transformar nós mesmos e o mundo à nossa volta.
  5. Diversão
    Gamers não levam nada tão a sério. No bom sentido. Assim como sabem planejar suas ações no jogo, sabem usar esse planejamento para antecipar estresses diários. Também sabem identificar quais elementos de seu estudo ou de seu trabalho podem ser refeitos – assim como são refeitas as fases no jogo.

Talvez esses sejam qualidades psicológicas de uma geração. Essa geração aí que está chegando. Ou talvez já estejam conosco desde os grandes gregos, geração meio espartana – em seus dormitórios pequenos – e meia ateniense – com seus livros espalhados e um altar para o console favorito. O que importa é que essas qualidades estão tomando conta das escolas e logo atingirão o mercado de trabalho. Estaremos preparados? Quem vai direcionar toda essa dedicação e vontade de mudar o mundo durante os próximos anos?

Sugestões, dúvidas e reclamações? Comentem.

Sobre - Gaúcho de Porto Alegre, pesquisador na área de jogos digitais, estudando narrativas aplicadas a análise de games para tese de Doutorado. Fundador da empresa de desenvolvimento de software JETTA DdS Ltda.

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